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sábado, 27 de junho de 2015

Com conto contado.

Sempre quis começar algo com "Era uma vez...", com direito aos três pontinhos do suspense! Bem, na realidade o conto não envolve nenhum tipo de brincadeira e infelizmente é dito como entendido mas o fato de não ser usado mais vezes na prática, talvez, seja a causa da maioria de nossas decepções.

Conta-se que um rei mandou chamar o homem mais sábio de seu reino e pediu a ele o livro que trouxesse o segredo da felicidade. Na mesma hora o sábio disse que dispunha daquele livro ali mesmo e tirando de suas vestes um livro extremamente fino ao ponto de ter suas páginas o entregou ao rei. O monarca de imediatamente ia abrir, contudo, o sábio não permitiu alegando que ele só poderia faze-lo quando estivesse muito triste ou muito feliz, despedindo-se com uma reverência partiu.

Dias depois o rei se casou e uma grande festa foi dada, o reino estava farto e feliz com seu reinado. Imediatamente o jovem rei deixou a festa por uns minutos e foi ao quarto abrir o livro, afinal de contas, estava muito feliz. E para sua surpresa encontrou escrito na primeira página "Isto Passa". Completamente indignado o monarca recém-casado atirou o fino volume longe, afinal de contas pensou. " Como este pode ser um livro que me trará felicidade, quando mais feliz estou, o mesmo me joga na face que minha alegria findará! Se mais tempo tivesse o queimaria". Com a indignação desceu e logo dela se esqueceu durante a euforia da festa.

Dois anos se passaram, a jovem e bela rainha adoeceu deixando a vida prematuramente, o rei por sua vez, entrou em  profunda tristeza, abandonou suas obrigações, seu povo começou a passar por privações e em certo dia todo o reino estava ameaçado de combate.

Há dias sem deixar o aposento o rei lembrou-se do pequeno livro que havia jogado em um lugar e lá estava o mesmo, meio desconfiado abriu o livro e lá estava: "Isto também passa".

O rei refletiu por um longo tempo sobre as frases e as situações. Naquele dia resolveu tomar uma iniciativa, conversou com o atacante e se descobriu encantado com a jovem filha do monarca, com a promessa de voltar a cuidar de seu reino de da filha do velho monarca. E assim foi feito.

O rei aprendeu que sua felicidade poderia ser abalada pelos dias tristes ou felizes, mas não poderia ser comandada se ele não permitisse. A forma de agir e sentir podiam fazer toda uma grande diferença.


Achei um conto muito bonito, com moral edificante para nosso interior, mas penso... Será mesmo que somos usuários desta tática?

Penso que é trabalhoso desacostumar-se a ser infeliz, mas quem sabe não custe tentar?

Há dias que são incrivelmente difíceis, muitas das vezes envolvem fatalidades, e para esses acabamos, quando mais conscientes, tomando uma postura mais calma, ponderada e esperançosa de dias melhores, qualquer boa notícia passa a se tornar um verdadeiro sambódromo , por menos efusiva que o seja.

Nos dias alegres, entretanto, estamos com a "corda toda", somos os autoconfiantes inabaláveis, nossa felicidade depende daquilo! Comemoramos, brindamos, abalamos! Já percebeu que em uma certa hora toda essa euforia cairá em uma certa frustração?

E se a felicidade fosse algo independente das nossas alegrias e tristezas, e se descobríssemos que não dá pra ser alegre ou triste quando queremos, contudo podemos manter um paz e tranquilidade interior que na alegria nos contenta ao encantamento e na tristeza a pouco lamento e mais agilidade nos leva?

E se mais, tivesses uma consciência absurda de que a felicidade seja um estado tão íntimo que consegue se camalear como encanto, serenidade, apelo, diálogo, reflexão, menos reclamação e mais ação, ou menos ação e mais reflexão.

E se pudermos ser felizes nas horas mais tristes por que simplesmente nos sentimos felizes em suas mais variadas facetas.

Talvez a felicidade seja absurdamente fácil, talvez esse texto o seja. Ou não...

Texto Conto do Rei: Autor desconhecido
Texto em prosa: J.Mendes

#JMendes

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