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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

ESCREVENDO NAS MÃOS DE UM PALHAÇO

"Tenho medo de palhaços, contudo, são coloridos"
J.Mendes

                                            O PORTÃO, O MUNDINHO E AS FOLHAS
Eu costumava admirar aquele portão de madeira, grande, imperioso, por vezes, que sequer posso julgar necessárias, saí de meu mundo para contemplar aquele portão. Eu tinha certeza que além dele o sol brilhava sempre, que lá as pessoas acordavam como nos comerciais de margarina, as flores eram primaveris, mas a cor das folhas presas aos seus galhos eram amarelas.
O anfitrião? Nossa, que pessoa incrível deveria ser. Por vezes toquei a campainha, era esporádico, mas eu o fazia, e quase nunca era atendida, quando o era, me oferecia uma flor, voltava a se trancar atrás de seus portões gentilmente. Eu imagina que todos os entardeceres eram do tom de seus cabelos cor de trigo.

Certa vez houve um dilúvio em meu  mundo e o mesmo ficou inabitável, as nuvens estavam mais densas e decididas a tomarem a frente do céu. Para eu sair de meu mundo, só estando inabitável mesmo... Corri aos grandes portões e bati... A princípio tudo deu a entender que seria bem acolhida, mas eu precisava ficar por uns tempos, mas ele não mais foi simpático e sim glacial ao me dizer que o seu jardim diurno nada tinha haver com meu mundo noturno e minha presença ali destoaria todo o mundo dele.
Havia mil coisas inteligentes para se dizer, contudo, engatei em bobagens. Voltei para o meu nunca sombrio, mas chuvoso e nebuloso mundo. Lá lamentei as noites em seguida, o estado que me cercava, as poesias que sangravam direto do peito. Me sentia pequena, impopular, indigna.

Em meio as queixas, fui refazendo esse meu mundo, não adiantava, por mais que eu chorasse de razões o que tinha que ser feito, deveria ser feito por mim. Então, em passos de formiga, fui aceitando e enfeitando meu mundo. Quanto ao jardim... Alguns deles, aprendi, possuem grande beleza, mas somente exalam perfume e não sentimentos e algumas folhas já deveriam ter se desapegado de seus galhos.

J.Mendes 

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