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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Escrevendo nas mãos de um palhaço... (O empenho, o galego e a cigana.)

(O empenho, o galego e a cigana.)



Começara a anoitecer e a estrada seguia Lua afora...

Esta parecia afastar-se da estrada e ao mesmo tempo torna-se maior aos seus olhos...

Efeitos que dão margens as mentes poéticas... (bufou)

Tudo fora deixado para trás... Tudo...

Aquela vida não era sua, precisava encontrar suas respostas...



Era um belo homem de origem alemã, poderia estar entre tantos populares de sua época, e já se via tão amargurado!

Fechou os olhos de um profundo azul escuro e sentiu uma leve brisa... Aquilo batera-lhe como água gelada em meio ao turbilhão em brasas que sua mente jovem lhe acometia...

Voltar não era uma opção!

Havia algo errado, era jovem demais para não querer viver...

Era jovem de mais para não sofrer por amor...

Amor?! Os imbecis choravam em seus ombros por isso...

Por que haveria de querer saber sobre algo de em que tudo atrasaria sua busca incessante de respostas pela vida...

Abrira os olhos espantados ao que antes tudo era silencio... Pandeiros? O que seria?

Ao visualizar a lua estra a frente notou uma figura que tocava e se movia de forma harmoniosa...

Que a lua não possuía luz própria, isso já era de seu saber acadêmico, porém que alguém pudesse lhe sugar todo o reflexo prateado...

Sequer havia notado que ela movia-se de forma esvoaçante alternadamente entre o que parecia ser uma bifurcação!

Já tinha ouvido falar de aparições...

E uma bifurcação não lhe facilitaria a vida...

Com os olhos ainda preso na bela estranha:

Pouco importava as aparições e bifurcações...

Chegando a passos lentos... Sentia algo estranho, a cada passo tinha dificuldade de tirar os olhos da figura que aos poucos ia vislumbrando...

A cada passo olhava confuso para trás como se algo se fosse deixado, sentia-se... Leve... Sequer parecia ter caminhado exaustivamente naquele dia...

Sem mais desprender os olhos da figura que se movia graciosamente... Notou os cabelos que iam quase aos joelhos! Os lenços... A longa saia vermelha... Uma típica blusa cigana... E tudo isso junto aos movimentos daquela mulher manteriam um homem a vislumbra-la até definhar...

Sem emitir uma palavra a mulher esta se virou rapidamente com um sorriso e disse:

- Eu jamais o permitiria se a mim coubesse tamanha decisão.

- Como...

- ninguém vai definhar!

Bruxa! Estava explicado! Era uma linda feiticeira cigana... (Pensou)

- Não sou uma bruxa... (rira)

Pouco importava o que ela era, afinal de contas, nunca tivera nada contra feiticeiras, ciganos... E pouco importava se ela lia seus pensamentos...

Sentiu-se um tolo!

O que deixei para trás?

Seu orgulho.

O que estou sentindo?

Seu coração.

Porque não paro de olha-la?


Danço bem ( ria) 

Porque quero abraça-la?

Porque te enfeiticei (dissera ao ouvido)

Pode me manter assim?

Não.

Minha jornada terminou, volte comigo...

Voltar não é uma opção

E você?

Depende...

Do que?

Sou sua opção de seguir...

Irá comigo?

De certa forma...

Dói...

É o que chamam de saudade.

Está em minha frente...

Aprendeste a ansiar.

Para onde vai?

Deste lado. E Você... (apontou o outro caminho)

Quero ir com você...

Estrarei contigo até...

Quando?

O dia em precisar de algo que me empenhaste...

Não lhe dei um vintém...

Seu coração.

Como espera que eu siga sem ele e ti? Esses caminhos parecem tortuosos e escuros...

São seus...

Quando conseguirei achar um lugar, neste mundo, em que me abandonarás os pensamentos e me devolverá o que tomaste como empenho?

Porque fazes questão do que antes julgava ser empecilho de tolos?

Porque a vi, e a vida sem você... Parece... Mas tola que pensamentos – é um castigo?

Apenas uma precaução. Aprendeu a não falar do que não conhece.

As pessoas costumam ganhar em empenhos, não é assim? Negas-me até o teu amor...

Teu amor não me pertence, apenas guardei teu coração para que ele não sinta medo na estrada escura, e que não se perca em bifurcações, um dia terá que entrega-lo a sua dona... Seu empenho será protegido, para um coração, isso é muito... Siga...

Porque não volto? Se depende de mim...

Aprendeste a ter fé e o que buscar.



Não me disse seu nome:

Estrada.


J.Mendes.


" NAS MÃOS DE UM PALHAÇO?! TENHO MEDO DE PALHAÇOS...  
CONTUDO SÃO COLORIDOS..."
J.Mendes




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