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quinta-feira, 1 de maio de 2014

AMPULHETA

E a ampulheta se virou novamente...Quando vazia o faz rápida, furtiva ou relativa. Quando completamente pesada e cheia e de ponta a cabeça, começa a se esvair para baixo. Fundo, caindo em variações de impacto, grão a grão de pensamento torpe, em uma lentidão desmedida em cada pesar de cada grão. Mas não grãos coloridos que marcam novas eras, tempos, minutos, e

 segundos de um novo começar, e sim grãos cinzentos em um indiscutível estagnar. Lá está, dentro da frágil ampulheta, a criatura antes ou ainda forte, tenta, de todas as formas romper o fino vidro que a prende entre os grãos sem vida, sem cor, em movimentos por si já conhecidos. Muitas das vezes se aquieta na esperança de não cair entro os mesmos, torpe criatura. Mantém a esperança que se não findar entre a haste da ampulheta, entre os grãos, almeja romper e fugir de seu ciclo cinza, repetitivo e aflitivo. Por vezes sorri alegre, crendo que os grãos se foram e esta por fim, ainda em cima e sem o peso dos mesmos em um novo e apavorante virar, irá quebrar o vidro. Todas as atividades de fuga até então lhe foram falhas e as únicas cores que ainda vislumbra são reflexos que passam pelos vidros da velha e pessoal ampulheta, cores de formas redondas que passam pelo seu esôfago e amenizam a mente de grãos cinzas para grãos comprimidos de ilusória cor mental, apenas paliativos. As vezes se desprende e se deixa cair com os grãos, pensa que se não houver forma, tenta encarar e aprender a virada com eles ou use a pressão dos mesmos para romper o vidro no momento inferior, posto que isso não dera certo até então. O vidro é fino o suficiente para que ouças comentários externos: "Ora, criatura, te aprume! Te levante! Quebre esta ampulheta, afinal és tão fina! Eis tu de maior fraqueza que o vidro da mesma!"Tais comentários apenas fazem com que a criatura antes "gente" apenas seja reduzida a posição do menor dos grãos... O ar é escasso ali, e a cada dia, piscar os olhos... As arranhaduras auditivas e físicas lhe debilitam.Mas a quebra é uma questão de vida ou morte, é pessoal, é individual e sequer tais cometários lhe tiram a decisão de morrer, aprender ou quebrar a ampulheta juntamente com os grãos.

J.Mendes



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